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terça-feira, 24 de abril de 2012

Obatalá, o criador


Santeria cubana – rito ioruba

É o criador dos demais Orichas.
Representa a massa de ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação de novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos, preside o nascimento, a iniciação e a morte.
De sua união com Iemanjá resultou o nascimento da maioria dos Orixás.
É a maior divindade do panteão Ioruba, o representante de Olodumare no Ara (terra), recebendo deste a missão de ensinar a todos os outros Ochas.
Através de Obatalá nasceu a luz e a escuridão, a vida e a morte, o bem e o mal.
Obatalá tem o poder e a autoridade sobre todos os Orichas, e quando há guerra de Santo ele é o intermediário e aquele que impõe respeito.
A palavra Oba em ioruba significa poder, extensão e expansão, o rei de todos os deuses.
É o pai da brancura.
Obatalá - Oba (rei) alá (branco)
Seu nome significa rei que veste de branco ou rei de roupas brancas.
É o único juiz desta religião, pois a sua palavra é lei.
Representa o céu, o princípio de tudo, e foi encarregado de criar o mundo.
Segundo a tradição oral, foi Olodumaré quem lhe confiou a criação dos seres humanos.
Mas Obatalá amava o vinho-de-palma, e uma noite, sob os efeitos do vinho, acidentalmente criou um número de seres deformados.
Deste descuido nasceram o albino, o anão, o corcunda, o torto, o coxo e outros seres humanos malformados.
Por isso ele é o responsável pelos defeitos físicos, ele é corcunda porque se recusou a fazer uma oferenda de sal numa cabaça e Èsù castigou-o pregando a cabaça nas costas, razão pela qual não come sal.
Obatalá é o oricha da paz e da pureza.
É considerado o fim pacífico de todos os seres.
Obatalá é Orixá que determina o fim da vida.
Nas rodas da Santeria, é Exú quem inicia e Obatalá quem termina os Xirês.
Ele faz parte dos Orixás denominados funfun, (brancos).
Não gosta nem de sangue, nem de óleo de palma (dendê).
É alheio a toda violência, disputas, brigas, gosta de ordem, de limpeza, e pureza.
É o Orixá mais velho.
As principais características deste Orixá são: calma, respeitabilidade, força de vontade, confiança, nada os faz mudar de opinião ou estratégia, no entanto, aceitam as consequências de suas decisões
Seus filhos devem vestir branco às sextas-feiras.
Ele deu a palavra ao homem e durante suas festas não se fala durante três semanas tudo é silêncio, pois a palavra é dele.
Sua maior festa é uma cerimónia chamada Águas de Obatalá que homenageia o período em de sete anos em que ele esteve encarcerado.
Essa cerimonia culmina com o ritual do Pilão de Obatalá.
Obatalá é o único Oricha que "fala" em todos os signos do Dilogun, em todos os Odduns, desde o 1 ao 16.
Não importa qual seja santo que esteja sendo feito ele sempre tem que estar acompanhado por Obatala para que reine a paz para o iniciado.
Os Lucumis reconhecem numerosas qualidades ou avatares de Obatalá. Por serem muitos, há uma grande variedade na personalidade deste orisha:
Ajáguna: o poderoso guerreiro e amante da guerra que muitos consideram ser o Shangó dos Obatalás.
Yekú Yekú: o enfraquecido cego e corcunda, que representa os pensamentos na velhice e a sabedoria que a acompanha.
Alagéma: o camaleão que testou a solidez da Terra para assegurar que fosse suficientemente firme como para nela se estabelecerem os humanos;
Oshaogiyán: o maduro, qualidade equilibrada de Obatalá, que conhece o sofrimento causado pela guerra e tenta consolar a humanidade com maturidade e compreensão.
Algumas qualidades:
Oshanlá (Orishanlá), Obanlá, e Erú Ayé são consideradas femininas, numa clara influência Egbado.
Há cerca de cinquenta qualidades de Obatalá.
Além disso, Obatalá tem vários delegados, um grupo inteiro de divindades tipicamente referidas como orishas fúnfún, orishas branco.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Obatalá


No começo, o mundo era todo pantanoso e cheio d'água, um lugar inóspito, sem nenhuma serventia.
Acima dele havia o Céu, onde viviam Olorum e todos os orixás, que às vezes desciam para brincar nos pântanos insalubres.
Desciam por teias de aranha penduradas no vazio.
Ainda não havia terra firme, nem o homem existia.
Um dia Olorum chamou à sua presença Orixanlá, o Grande Orixá.
Disse-lhe que queria criar terra firme lá embaixo
e pediu-lhe que realizasse tal tarefa.
Para a missão, deu-lhe uma concha marinha com terra, uma pomba e uma galinha com pés de cinco dedos.
Orixanlá desceu ao pântano e depositou a terra da concha.
Sobre a terra pôs a pomba e a galinha
e ambas começaram a ciscar.
Foram assim espalhando a terra que viera na concha
até que terra firme se formou por toda parte.
Orixanlá voltou a Olorum e relatou-lhe o sucedido.
Olorum enviou um camaleão para inspecionar a obra de Oxalá e ele não pôde andar sobre o solo que ainda não era firme.
O camaleão voltou dizendo que a Terra era ampla,
mas ainda não suficientemente seca.
Numa segunda viagem o camaleão trouxe a notícia
de que a Terra era ampla e suficientemente sólida,
podendo-se agora viver em sua superfície.
O lugar mais tarde foi chamado Ifé, que quer dizer ampla morada.
Depois Olorum mandou Orixanlá de volta à Terra
para plantar árvores e dar alimentos e riquezas ao homem.
E veio a chuva para regar as árvores.
Foi assim que tudo começou.
Foi ali, em Ifé, durante uma semana de quatro dias, que Orixá Nlá criou o mundo e tudo o que existe nele.