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domingo, 8 de abril de 2012

Sakpata, vodun da terra


Tradição religiosa do povo Fon

Sakpata é a denominação Fon do Vodun da terra.
É o grande Ayi-vodun dos Ewe-Fon, por isso intitulado Ayinon (o dono da terra).
Considerado filho mais velho de Mawu ele é enfim, o Rei do Mundo, originariamente vodun senhor da varíola e, por extensão, de inúmeras enfermidades contagiosas que deformam o corpo.
Todo o povo Fon o teme enormemente e cultua fervorosamente.
Sakpata possui uma grande variedade de atributos cada qual representando um aspecto de doenças e infecções.
A tradição Fon aponta a origem do culto de Sakpatá na localidade de Kpeyin Vedji, um enclave ioruba dentro do território Mahi a noroeste de Abomé.
Por essa dupla procedência permanece a duvida de que Sakpatá é considerado uma divindade ioruba (nagô) pelos Fon e Gun (Jêje) pelos iorubas.

Origem

Para os Fon, Sakpatá foi trazido para o Daomé, pelo rei Agajá, no século XVIII, vindo da cidade de Dassa Zoumé, da aldeia de Pingine Vedji.
O culto de Sakpatá era olhado com suspeita, por vezes banido (e o foi, definitivamente, de Abomé).
Uma vodunsi de Sakpatá não pode ser dada como esposa para o rei, e havia sempre a suspeita maior de que seus sacerdotes espalhavam deliberadamente a doença para aumentar seu poder.
Outro aspecto importante é o fato de que Sakpatá desafiava abertamente o poder real usando os mesmos títulos do rei, como Ayinon e Jeholú.

Atributos de Sakpatá

Kohossú significa "Rei da Lama" pai de todos os Sakpatás;
Nyohwe Ananú, dona da água parada que mata de repente é a mãe, e são ambos os filhos de Nà Buùku.
Da Zodji, envia a disenteria e os vômitos, considerado o mais velho de todos.
Ele não tem braços ou pernas e é carregado numa padiola, mas tem o poder da invisibilidade e, apesar do defeito físico, comanda todos os Sakpatás.
Da Langan come a carne das pessoas ainda vivas.
Da Sinji traz as inchações e tromboses.
Aglossuntó é responsável pelas feridas e chagas que nunca cicatrizam.
Adohwan castiga perfurando os intestinos.
Avimadjé é o que leva as almas dos que morreram punidos por Sakpatá.
Bossu-Zohon é o grande feiticeiro.
Alogbê possui cinco braços e é ligado aos Tohossús (espíritos de crianças com defeito).
Adan Tanyi é filho de Da Zodji, e traz a lepra.
Suvinengué um abutre com cabeça humana e é filho de Da Langan.
Existem várias outras designações: Agbologbodji, Tonekpó, Gbazu, Ahossú Ganhwa, Kpadadadaligbo (que é fêmea) etc., cujos nomes, atribuições e lugar dentro da "família" variam de região para região.

Aspectos do Deus

Outra tradição conta que Sakpatá é uma divindade dupla, tanto macho como fêmea.
O macho sendo Da Zodji e a fêmea sua irmã Nyohwe Ananu, gêmeos nascidos do primeiro parto da entidade andrógina Mawu-Lissá.

Culto

Sakpatá é cultuado em seus templos sob um aspecto duplo. Possui o aspecto Jeholú ("Rei das Jóias", que seriam as pústulas trazidas pela varíola) que é tratado internamente e não recebe sacrifícios de sangue diretamente, mas é lustrado com uma mistura de sangue e azeite de dendê e envolto por panos.
O aspecto Zun-holú ("Rei da Floresta") fica do lado de fora, recebe os sacrifícios de sangue diretamente sobre ele e é coberto por rodilhas de ramos secos da palmeira de ráfia (Raffia vinifera) palha-da-costa, e é um montículo que pode ser mais alto do que um homem.
Os sacerdotes e fiéis o tratam como um ente vivo, o reverenciam, abraçam, etc. Zun-holú de tamanhos mais modestos podem ser vistos diante dos hunkpame de outros voduns, sobretudo nos de Heviossô.
A iniciação de Sakpatá entre os Fon consiste em duas partes. Na primeira e mais longa, os iniciados permanecem no hunkpame vários meses submetendo-se a disciplina rígida de silêncios, jejuns, aprendizagem de cânticos e danças rituais e nesta eles são chamados de Agamassi.
No final desta fase, as famílias juntam dinheiro para realizar um grande ritual, no qual os neófitos morrem simbolicamente e ficam escondidos por três dias dos olhos de todos, e depois são trazidos para fora enrolados em mortalhas e são publicamente "ressuscitados" pelo Aklunon (ministro do culto). A partir daí eles recebem seus nomes de iniciação e passam a ser chamados de Anagonu, por causa da acreditada origem nagô do vodun; ou "Azonsi", que em francês se escreve Azonsu.
As cores de contas e roupas usadas por seus vodunsis podem variar de acordo com o gosto de cada um.
Sakpatá usa todas as cores e os estampados tem sempre cores escuras.

No Brasil

Na Diáspora, o culto de Sakpatá foi usualmente misturado ao de sua versão ioruba, Obaluaiyê.
No Candomblé Jeje, ele é conhecido como Azonsu ("O" Doença), grafado no Brasil como "Azunsu" ou Ajunsun e Azonwanu (o que tem o cheiro da doença), grafado no Brasil como "Azoani" ou Azauani, sendo este segundo nome também conhecido na Santeria cubana como "Asojano".

Em Cuba

Na santeria cubana é conhecido como "Asojano".

domingo, 29 de janeiro de 2012

Sakpata, o Ayi-vodun dos Ewe-fon- O dono da terra

Sakpata é o grande Ayi-vodun do panteão Ewe-Fon, por isso intitulado Ayinon (o dono da terra) que tem como divindade principal Azansun, Deus do panteão da Terra.
Os Ayi-vodun (divindades que habitam a terra) são considerados de extrema importância na mitologia Fon por controlarem a fertilidade do solo, as doenças e a duração da vida e a própria morte.
A família deste vodun é numerosa e seu culto bastante disseminado entre os Ewe-Fon, da mesma forma que o culto de Ayizan, também pertencente ao ramo dos Ayi-vodun, como Dan e Dangbê.
Aparentemente, os Ayi-vodun são os que têm mais iniciados dentro do culto vodu.
Considerado o filho mais velho de Mawu ele é o senhor da varíola e, por extensão, de inúmeras enfermidades contagiosas que deformam o corpo.
Temido por todo o povo Fon que cultua fervorosamente.
A tradição aponta a origem do culto a Sakpatá na localidade de Kpeyin Vedji, um enclave ioruba dentro do território Mahi, a noroeste de Abomé.
Possui uma grande variedade fetiches ou assentamentos, em que cada um representa o aspecto de alguma doença ou infecção.
Kohossú, cujo nome significa "Rei da Lama" é o pai de todos os Sakpatás.
Nyohwe Ananú, dona das águas paradas, que mata de repente, é a mãe, e ambos são filhos de Nà Buùku.
Da Zodji, envia a disenteria e os vômitos, considerado o mais velho de todos. Ele não tem braços ou pernas e é carregado numa padiola, mas tem o poder da invisibilidade e, apesar do defeito físico, comanda todos os Sakpatás.
Da Langan come a carne das pessoas ainda vivas.
Da Sinji traz as inchações e tromboses.
Aglossuntó é responsável pelas feridas e chagas que nunca cicatrizam.
Adohwan castiga perfurando os intestinos.
Avimadjé é o que leva as almas dos que morreram punidos por Sakpatá.
Bossu-Zohon é o grande feiticeiro.
Alogbê possui cinco braços e é ligado aos tohossú
Adan Tanyi é filho de Da Zodji, e traz a lepra.
Suvinengué um abutre com cabeça humana e é filho de Da Langan.
Existem várias outras denominações: Agbologbodji, Tonekpó, Gbazu, Ahossú Ganhwa, Kpadadadaligbo (que é fêmea) etc., cujos nomes, atribuições e lugar dentro da "família" variam de região para região.
Outra tradição conta que Sakpatá é uma divindade dupla, tanto macho como fêmea.
O macho sendo Da Zodji e a fêmea sua irmã Nyohwe Ananu, gêmeos nascidos do primeiro parto da entidade andrógina Mawu-Lissá.
Sakpatá é cultuado em seus templos sob um aspecto duplo.
Possui o aspecto Jeholú (Rei das Jóias), pústulas trazidas pela varíola, que não recebe sacrifícios diretos de sangue, mas é lustrado com uma mistura de sangue e azeite de dendê e envolto por panos.
O aspecto Zun-holú ("Rei da Floresta") fica do lado de fora, recebe os sacrifícios de sangue diretamente sobre ele e é coberto por rodilhas de ramos secos da palmeira de ráfia (Raffia vinifera), e é um montículo que pode ser mais alto do que um homem.
Os sacerdotes e fiéis o tratam como um ente vivo, o reverenciam, abraçam etc. Zun-holú de tamanhos mais modestos podem ser vistos diante dos hunkpame de outros voduns, sobretudo nos de Heviossô.
A iniciação de Sakpatá entre os Fon consiste em duas partes.
Na primeira e mais longa, os neófitos permanecem no hunkpame vários meses submetendo-se a disciplina rígida de silêncios, jejuns, aprendizagem de cânticos e danças rituais e nesta eles são chamados de agamassi.
No final desta fase, as famílias juntam dinheiro para realizar um grande ritual, no qual os neófitos morrem simbolicamente e ficam escondidos por três dias dos olhos de todos, e depois são trazidos para fora enrolados em mortalhas e são publicamente "ressuscitados" pelo Aklunon (ministro do culto).
A partir daí eles recebem seus nomes de iniciação e passam a ser chamados de anagonu, por causa da acreditada origem nagô do vodu.
No antigo Reino do Daomé, o culto de Sakpatá era olhado com suspeita, às vezes banido (e o foi, definitivamente, de Abomei).
Uma vodunsi de Sakpatá não pode ser dada como esposa para o rei, e havia sempre a suspeita maior de que seus sacerdotes espalhavam deliberadamente a doença para aumentar seu poder.
Mas outra questão importante neste caso é o fato de que Sakpatá abertamente desafia o poder real portando os títulos de Ayinon e Jeholú, que são títulos que o rei também possui.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sakpata, o deus da varíola - Dassa-Zoumé, Benim

Na entrada da cidade de Dassa, vindo de Cotonu, uma gruta no meio da colina abriga o santuário de Sakpata, conhecido como o deus da varíola.
Todos os anos, os adeptos do culto iwin ou vodun, reúnem-se para rezar sob a égide do sacerdote supremo desta região.
Esta manifestação acontece em janeiro aos pés de Sakpata, o deus justiceiro que cura as doenças e cobre o mundo de bem estar.
A varíola já foi uma doença incurável e grave que cobre o corpo com pústulas, favorecendo a decomposição da pele.
Para cura-la, o paciente é levado ao isolamento, longe da população e acompanhado por um sacerdote de Sakpata e de alguns adeptos.
"Se o paciente for puro de alma, ele poderá regenerar-se miraculosamente, mas se for algum feiticeiro, seu corpo será abandonado aos abutres."
Sakpata foi rei de Savalu, cidade dominada por invasores Aja vindos do sul.
Foi o único rei que preferiu o exílio a render-se aos conquistadores do Daomé.
Seu culto foi trazido para o Daomé por Agajá, no século XVIII, vindo da aldeia de Pingine Vedji na cidade de Dassa Zoumé.
A crença nessa poderosa divindade foi incorporada pelos sacerdotes da população do Abomey.
A luta de resistência ao monarca do povo invasor obteve força ideológica no culto de Sakpata.
Tal quais os judeus, cativos na África, deram a entender que as sete pragas do Egito eram um castigo de Jeová, o povo de Danxome entendeu que a divindade ancestral Sakpata, castigava com as epidemias de varíola o despotismo do rei que não representava mais os interesses das velhas linhagens locais, e os desvios provocados nas tradições pela dominação estrangeira.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sakpata, vodun da terra.


Sakpata é a denominação fon do Vodum da terra.
É o grande Ayi-vodun dos Ewe-fon, por isso intitulado Ayinon (o dono da terra).
Considerado filho mais velho de Mawu ele é enfim, o Rei do Mundo, originariamente vodun senhor da varíola e, por extensão, de inúmeras enfermidades contagiosas que deformam o corpo.
Todo o povo fon o teme enormemente e cultua fervorosamente.
Sakpata possui uma grande variedade de atributos cada qual representando um aspecto de doenças e infecções.
A tradição fon aponta a origem do culto de Sakpatá na localidade de Kpeyin Vedji, um enclave ioruba dentro do território mahi a noroeste de Abomei.
Por essa dupla procedência permanece a duvida de que Sakpatá é considerado uma divindade ioruba (nagô) pelos fon e gun (jêje) pelos iorubas.
Origem
Para os Fon, Sakpatá foi trazido para o Daomé, pelo rei Agajá, no século XVIII, vindo da cidade de Dassa Zoumé, da aldeia de Pingine Vedji.
O culto de Sakpatá era olhado com suspeita, por vezes banido (e o foi, definitivamente, de Abomei).
Uma vodunsi de Sakpatá não pode ser dada como esposa para o rei, e havia sempre a suspeita maior de que seus sacerdotes espalhavam deliberadamente a doença para aumentar seu poder.
Outro aspecto importante é o fato de que Sakpatá desafiava abertamente o poder real usando os mesmos títulos do rei, como Ayinon e Jeholú.
Atributos de Sakpatá
Kohossú significa "Rei da Lama" pai de todos os Sakpatás;
Nyohwe Ananú, dona da água parada que mata de repente é a mãe, e são ambos filhos de Nà Buùku.
Da Zodji, envia a disenteria e os vômitos, considerado o mais velho de todos.
Ele não tem braços ou pernas e é carregado numa padiola, mas tem o poder da invisibilidade e, apesar do defeito físico, comanda todos os Sakpatás.
Da Langan come a carne das pessoas ainda vivas.
Da Sinji traz as inchações e tromboses.
Aglossuntó é responsável pelas feridas e chagas que nunca cicatrizam.
Adohwan castiga perfurando os intestinos.
Avimadjé é o que leva as almas dos que morreram punidos por Sakpatá.
Bossu-Zohon é o grande feiticeiro.
Alogbê possui cinco braços e é ligado aos tohossú (espíritos de crianças com defeito).
Adan Tanyi é filho de Da Zodji, e traz a lepra.
Suvinengué um abutre com cabeça humana e é filho de Da Langan.
Existem várias outras designações: Agbologbodji, Tonekpó, Gbazu, Ahossú Ganhwa, Kpadadadaligbo (que é fêmea) etc., cujos nomes, atribuições e lugar dentro da "família" variam de região para região.
Aspectos do Deus
Outra tradição conta que Sakpatá é uma divindade dupla, tanto macha como fêmea.
O macho sendo Da Zodji e a fêmea sua irmã Nyohwe Ananu, gêmeos nascidos do primeiro parto da entidade andrógina Mawu-Lissá.
Culto
Sakpatá é cultuado em seus templos sob um aspecto duplo. Possui o aspecto Jeholú ("Rei das Jóias", que seriam as pústulas trazidas pela varíola) que é tratado internamente e não recebe sacrifícios de sangue diretamente, mas é lustrado com uma mistura de sangue e azeite de dendê e envolto por panos.
O aspecto Zun-holú ("Rei da Floresta") fica do lado de fora, recebe os sacrifícios de sangue diretamente sobre ele e é coberto por rodilhas de ramos secos da palmeira de ráfia (Raffia vinifera) palha-da-costa, e é um montículo que pode ser mais alto do que um homem.
Os sacerdotes e fiéis o tratam como um ente vivo, o reverenciam, abraçam etc. Zun-holú de tamanhos mais modestos podem ser vistos diante dos hunkpame de outros voduns, sobretudo nos de Heviossô.
A iniciação de Sakpatá entre os fon consiste em duas partes. Na primeira e mais longa, os iniciados permanecem no hunkpame vários meses submetendo-se a disciplina rígida de silêncios, jejuns, aprendizagem de cânticos e danças rituais e nesta eles são chamados de agamassi.
No final desta fase, as famílias juntam dinheiro para realizar um grande ritual, no qual os neófitos morrem simbolicamente e ficam escondidos por três dias dos olhos de todos, e depois são trazidos para fora enrolados em mortalhas e são publicamente "ressuscitados" pelo Aklunon (ministro do culto). A partir daí eles recebem seus nomes de iniciação e passam a ser chamados de anagonu, por causa da acreditada origem nagô do vodun; ou "Azonsi", que em francês se escreve azonsu.
As cores de contas e roupas usadas por seus vodunsis podem variar de acordo com o gosto de cada um.
Sakpatá usa todas as cores e os estampados têm sempre cores escuras.
No Brasil
Na Diáspora, o culto de Sakpatá foi usualmente misturado ao de sua versão ioruba, Obaluaiyê.
No Candomblé Jeje, ele é conhecido como Azonsu ("O" Doença), grafado no Brasil como "Azunsu" ou Ajunsun e Azonwanu (o que tem o cheiro da doença), grafado no Brasil como "Azoani" ou Azauani, sendo este segundo nome também conhecido na Santeria cubana como "Asojano".
Em Cuba
Na santeria cubana é conhecido como "Asojano".