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terça-feira, 6 de março de 2012

Cinema Roma, Asmara – Eritreia


Arquitetura na África

Construída por Mussolini para ser a capital de um grande império colonial italiano na África, Asmara é tida como uma das cidades mais bonitas da África, por conta de seu urbanismo mediterrâneo e de sua arquitetura art-déco.
Apesar das guerras de libertação da Eritreia, quase não houve mudanças em Asmara desde o período que a Itália era governada por Mussolini.
A cidade parada no tempo é um testemunho vivo da época, em que a arquitetura Art-Decô estreava para deslumbrar o Continente Nero.
Não é preciso ser um especialista para reconhecer esses tesouros que se destacam por si mesmos.
Os prédios maiores e mais antigos, construídos no período italiano, possuem grande interesse arquitetônico.
O cinema Roma é um exemplo.
Sua fachada de mármore reflete o luxo do passado colonial e os interiores ainda preservam o glamour das salas de cinema.
Seus interiores históricos são muito inspiradores.
Seus assentos foram renovados recentemente, assim como as acomodações e serviços.
Nostalgia essa que nos remete ao filme Cinema Paradiso de Giuseppe Tornatore.
No saguão o café e bar continuam sendo um ponto de encontro para espairar, com seus lambris de madeira escura e um antigo projetor.
Em Asmara ha nove salas de cinema em completa forma, exibindo filmes ingleses, italianos e hindus, com dublagens ou subtítulos.
A Eritreia não tem tradição de arte dramática.
Ultimamente ha um crescimento na expressão teatral onde essa arte esta se popularizando.
O teatro eritreu se calca em temas que evocam e relembram a guerra de libertação com a Etiópia.

Cinema Paradiso - filme

Uma das mais poéticas e nostálgicas homenagens ao cinema, o filme de Giuseppe Tornatore mostra a amizade de um menino e um projecionista de cinema.
Ao retornar a sua pequena cidade natal, Salvatore (Jacques Perrin) lembra-se da infância.
Apelidado de Totó (Salvatore Cascio), era frequentador assíduo das matinês do cinema Paradiso, tornando-se o grande amigo de Alfredo (Philippe Noiret), o projecionista.
Esta relação será decisiva na vida do garoto e em sua escolha pelo cinema. Já rapaz, Salvatore (Marco Leonardi) ajuda Alfredo a projetar filmes, além de descobrir o amor.
Grande sucesso entre o público brasileiro, o filme venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o Grande Prêmio do júri em Cannes.

Fabrica IRGA, Asmara – Eritreia


Arquitetura na África

Algumas partes de Asmara lembram as pequenas cidades provincianas da Itália.
O prédio da I.R.G. A está em meio a um desses arredores.
Sua arquitetura destaca-se, apesar da sua famosa vizinha, a Fiat Tagliero, que mostramos em paginas anteriores.
A IRGA (Industra Resine Gomma Affini) é uma indústria italiana de borracha e derivados, utilizados para aplicações industriais.

Sobre a arquitetura fascista

É sempre desconfortável lembrar que frente à desmoralizada democracia italiana do início dos anos 20, o fascismo foi um movimento com ampla adesão popular.
Após massacrar as alternativas de esquerda, o fascismo gozou por anos de unanimidade, inclusive entre os arquitetos, fossem eles racionalistas ou acadêmicos.
A disputa ocorreu entre vários agrupamentos de arquitetos pela hegemonia na representação do regime. Paradoxalmente, a primeira proposta de uma arquitetura como "arte de Estado" veio dos racionalistas em 1931, pela ação de Pietro Maria Bardi na sua "Petição a Mussolini pela arquitetura".
Nesse manifesto, Bardi defendia que os jovens do Movimento Italiano de Arquitetura Racional (e não a classe de profissionais consolidados liderados por Piacentini) deveriam ser os legítimos representantes do espírito modernizador fascista.
Quando em 1937 Mussolini finalmente resolveu adotar um estilo oficial, não optou pelo racionalismo e sim pelo classicismo de Piacentini.
Além de ser coerente com o poder interno à corporação dos arquitetos, a opção de Mussolini foi motivada pela declaração do Império Italiano após a invasão de Etiópia.
Um império deveria ter um estilo que remetesse, sem mediações, à grandeza do Império Romano.

Palazzo Falletta, Asmara – Eritreia


Arquitetura na África

O edifício construído em 1937, no Viale Mussolini, foi o antigo quartel general do partido fascista e funciona atualmente como o Ministério da Educação.
Palazzo Falletta permanece como modelo da arquitetura colonial italiana na África.
Domenico Salvatore Falhento com seu irmão e filhos, foram importantes industriais no ramo da construção civil, transportes, importação e exportação.

Eritreia

A Eritreia é um jovem país africano, limitado a norte e leste pelo Mar Vermelho, por onde faz fronteiras com a Arábia Saudita e com o Iêmen, a sul com o Djibuti e com a Etiópia e a oeste com o Sudão.
Asmara ou Asmera é a capital e a maior cidade da Eritreia.
Localiza-se a uma altitude de 2225 metros. Tem cerca de 917 mil habitantes.
Era uma aldeia quando foi escolhida para capital da região, então pertencente à Etiópia, na década de 1880.
Foi dominada pelos italianos entre 1889 e 1941, período em que todos os arquitetos italianos - modernistas, fascistas, futuristas, "piradoístas - foram lá brincar".
Nos anos 30 Asmara foi um laboratório para os arquitetos italianos experimentarem seus projetos arrojados.
Após a colonização italiana, a Eritreia foi dominada pelos britânicos entre 1941 e 1950 e pelos etíopes até 1993.
A "pujança" da capital modernista, que o governo da Eritréia tenta vender para turismo, é ainda mais impressionante porque ela é o núcleo de uma impressionante coleção de aldeias de migrantes, apertadas umas contra as outras.
Durante os tempos coloniais, os eritreus eram proibidos de entrar na Asmara dos brancos, a não ser a serviço, e o contraste é muito maior do que em Brasília - ainda mais que a "Cidade de lama" começa logo ao lado da "Cidade Bela," e que na Eritréia, devastada por uma guerra civil de décadas, a pobreza é maior e mais difundida.
Também é interessante que, nesses tempos de globalização e competitividade, a "herança" até do fascismo possa ser usada para tentar se destacar.