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quinta-feira, 26 de abril de 2012

A Encantaria no Tambor de Mina


Culto Jêje (Ewe Fon)

O culto dos encantados é parte muito importante do tambor-de-mina, estando ausente apenas na Casa das Minas.
Como os voduns, os caboclos ou encantados estão reunidos em famílias, algumas delas características de certas casas, como o centenário Terreiro da Turquia, onde caboclos turcos ou mouros são as entidades mais importantes do culto.
O nome caboclo, usado genericamente para se referir a um encantado, não significa tratar-se de entidade indígena.
Enquanto as danças para os voduns são realizadas ao som de cânticos (doutrinas) em língua ritual de origem africana, hoje intraduzível, os encantados dançam ao som de música cantada em português.
A Encantaria é o resultado da fusão de todos os rituais existentes no Brasil antes da chegada do homem branco com sua cultura católica fetichista, mais a contribuição africana durante 350 anos.
Tendo por tronco básico a ritualística indígena serviu de esteio e receptáculo para as demais tradições importadas.
Na Encantaria poderemos facilmente encontrar traços, fragmentos e até grandes reminiscências das influências ciganas, africanas, católicas, judaicas, árabes, celtas, gregas, romanas e, principalmente indígena.
Mas o grande sustentáculo da encantaria, é a cultura indígena Tupi-Guarani com sua ritualística maravilhosa, voltada para a flora e fauna com ritmos extasiantes e mágicos. Como pajelança no norte, terecô no Maranhão, catimbó no nordeste, quimbanda na Bahia, macumba no Rio de Janeiro e São Paulo e, batuque no Rio Grande do Sul, a Encantaria está espalhada por todo o Brasil sob diversas formas nomes e rituais.
A Encantaria não tem um ritual iniciático e doutrina específica. Cada casa ou terreiro segue sua própria doutrina, estabelecendo suas regras e forma de prática do ritual.
Via de regra não estabelece raízes ou tradições sucessórias, a não ser que as tenha.

Boiadeiros

No rol dos encantados estão todos aqueles que não são Orixás e todos que não são Voduns.
São o resultado da miscigenação entre Voduns e Orixás (ambos africanos), e os espíritos da terra, aqueles que já estavam aqui quando o homem branco e o negro chegaram. Popularmente chamados de Caboclos, encantados, ou mestres, dependendo da região.
Um dos grupos mais presentes e pouco conhecido é o de Boiadeiro.
Atendem por nomes como Navizala, Divizala, Itamaracá, Lua Nova, Campineiro, Gibão de Couro e muitos outros codinomes.
Durante anos as Casas de Candomblé de Angola (Endembo, Mushi-Congo, Tumba Junçara) e Xambá, costumavam após o término do Xirê Ti Inkisse (roda de santo de Angola), fazer um toque de louvação à Boiadeiro, toque este que rompia a madrugada com o dia clareando e muita Jenipapina.
Suas cantigas são conhecidas por sutaque e são feitas de improviso.