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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tambor de Mina


Cultura do povo Fon no Brasil

O Maranhão foi importante núcleo atração de mão de obra africana, sobretudo durante o último século do tráfico de escravos para o Brasil (1750-1850), e que se concentrou na Capital, no Vale do Itapecuru e na Baixada Maranhense, regiões onde havia grandes plantações de algodão e cana-de-açúcar, que contribuíram para tornar São Luís e Alcântara cidades famosas entre outros aspectos, pela grandiosidade dos sobradões coloniais, construídos com mão de obra escrava e pela harmonia, beleza e coreografia das musicas de origem africana.
Como as demais religiões de origem africana no Brasil (Candomblé, Umbanda, Xangô, Xambá, Batuque, Toré, Jarê e outras), o tambor de mina se caracteriza por ser religião iniciática e de transe ou possessão.
No tambor de mina mais tradicional a iniciação é demorada, não havendo cerimônias públicas de saída, sendo realizada com grande discrição no recinto dos terreiros e poucas pessoas recebem os graus mais elevados ou a iniciação completa.
A discrição no transe e no comportamento em geral é uma característica marcante do tambor de mina, considerado por muitos como uma maçonaria de negros, pois apresenta características de sociedades secretas. Nos recintos mais sagrados do culto (peji em nagô, ou côme em jeje), penetram apenas os iniciados mais graduados.
O transe no tambor de mina é muito discreto e às vezes percebível apenas por pequenos detalhes da vestimenta.
Em muitas casas, no início do transe, a entidade dá muitas voltas ao redor de si mesmo, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, talvez para firmar o transe, numa dança de bonito efeito visual.
Normalmente a pessoa quando entra em transe recebe um símbolo, como uma toalha branca amarrada na cintura ou um lenço, denominado pana, enrolado na mão ou no braço.
No Tambor de Mina cerca de noventa por cento dos participantes do culto são do sexo feminino e por isso, alguns falam num matriarcado nesta religião.
Os homens desempenham principalmente a função de tocadores de tambores, isto é, abatás, daí a definição abatazeiros, também se encarregam de certas atividades do culto, como matança de animais de quatro patas e do transporte de certas obrigações para o local em que devem ser depositados.
Algumas casas são dirigidas por homens e possuem maior presença de homens, que podem ser encontrados inclusive na roda de dançantes.
Existem dois modelos principais de tambor de mina no Maranhão: mina jeje e mina nagô.
O primeiro parece ser o mais antigo e se estabeleceu em torno da Casa grande das Minas Jeje (Querebentan de Zomadônu), o terreiro mais antigo, que deve ter sido fundado em São Luís na década de 1840.
O outro, que lhe é quase contemporâneo e que também se continua até hoje é o da Casa de Nagô, localizada no mesmo bairro (São Pantaleão) a uma quadra de distância.

Casas de Culto em São Luís

Casa das Minas ou Querebentã de Toy Zomadonu - fundada em meados do século XIX, e segundo Pierre Verger, por Nã Agotimé, da família real de Abomé, esposa do rei Agonglô, mãe do rei Guezô do Daomé, trazida como escrava para o Brasil, e aqui conhecida pelo nome de Maria Jesuína.
A casa dedica-se ao culto jeje dos voduns, que estão organizados por famílias, a saber:
Davice que é a principal, hospedando as demais: Dambirá (Damballah), Quevioçô (Heviossô), Aladanu e Savalunu.
É considerada a mais antiga casa de tambor de mina no Maranhão, localizada à rua de São Pantaleão, no centro histórico de São Luís.
Casa de Nagô (Nagon Abioton) - fundada por africanos de tradição ioruba, mais precisamente, de Abeokuta, deu origem a outros terreiros de São Luís, em que são cultuadas:
Entidades africanas jeje-nagôs ou (iorubas):
Doçu, Averequete, Ewá, Aziri, Acóssi, Sakpatá, Nanã Buruku, Xapanã, Ogum, Xangô, Badé, Locô, Iemanjá (Abê), Lissá, Naeté, Sogbô, Avó Missã dentre outros.
Gentis de origem europeia ou caboclas de origem nativa:
Dom Luís Rei de França, Dom João, Dom Floriano, Dom Sebastião, Toy Zezinho de Amaramadã, Rei da Turquia, S. Ricardino, S. Caboclo Velho, Princesa DâÔro, S. Guerreiro, D. Mariana, S. Légua Boji, S. João da Mata e muitos outros.
Segundo relatos, foi fundada à época de D. Pedro II por malungos africanos "de Nação", ajudados pela fundadora da Casa das Minas.
Localizada na Rua Cândido Ribeiro no centro histórico de São Luís, a Casa de Nagô é considerada irmã da Casa das Minas, que juntamente com esta influenciou os demais terreiros de São Luís.

Outros dois terreiros antigos merecem ser lembrados:

O Terreiro do Egito (Ilê Axé Niamê) e o Terreiro da Turquia (Ilê Nifé Olorum) (já extintos) que originaram vários outros terreiros, com destaque para a Casa Fanti Ashanti, de Pai Euclides Ferreira sendo a única com espaço dedicado ao candomblé;
Casa de Iemanjá (Ylê Ashé Yemowa), de Jorge Itaci (falecido em 2003);
Terreiro Fé em Deus, de mãe Elzita.
Merece destaque o  Ylê Axé de Otá Olé (Terreiro de Mina Pedra de Encantaria, de Pai José Itaparandi.
Alguns terreiros dedicam-se ao Tambor de Mina, mas também a algumas sessões de Umbanda, como por exemplo,
o Terreiro de Pai Oxalá e Mamãe Oxum de Pai Joãozinho da Vila Nova.
No Maranhão, especificamente, em São Luís, há uma diversidade de terreiros, até hoje não catalogados.
Além disso muitas casas funcionam precariamente principalmente por dificuldades financeiras.
Acredita-se que existem mais de 200 terreiros espalhados na capital definindo-se como Mina, Umbanda ou Mata (Encantaria de Barba Soeira).
Em Codó, a "Meca" do Terecô, os terreiros são também numerosos, sendo mais conhecido a
"Tenda Espírita de Umbanda Rainha de Iemanjá", de Bita do Barão.
Existem terreiros de mina chefiados por pais e mães de santo, feitos no Maranhão, ou de origem maranhense, no Pará, em Amazonas, em São Paulo, como por exemplo a Casa de Minas Thoya Jarina, de Toy Vodunnon Francelino de Shapanan