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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ancestralidade entre os Bantos

O culto aos mortos domina a vida religiosa banta.
Eles acreditam que os espíritos de seus ancestrais dominam os vivos e influem em todos os setores da vida.
Neste sentido, para o africano, o ancestral é importante porque deixa uma herança espiritual sobre a terra, pois tendo contribuído para a evolução da comunidade ao longo da sua existência, continua a fazê-lo após a morte e por isto é venerado.
A espiritualidade afro-brasileira tem duas grandes influências: as heranças africanas e as tradições do catolicismo popular.
A primeira foi trazida pelos africanos bantos e nagôs;
enquanto que a segunda foi vivenciada aqui entre nós desde a Colônia.
Banto e nagô, cada um destes povos e culturas são marcados por um tipo de espiritualidade.
Aliás, todo o povo africano é profundamente religioso.
Para os Bantos o ancestral não é simplesmente o morto, mas o antepassado vivente.
Exatamente porque viveu comunitariamente o antepassado tornou-se ancestral.
E, como tal, continua presente na vivência e na história da comunidade.
O ancestral liga o passado ao presente e projeta o futuro.
A ancestralidade valoriza a história e, ao mesmo tempo a transcende.
O ancestral é um mediador espiritual.
Antes das funções litúrgicas ou dos atos religiosos evoca-se a memória dos ancestrais.
Tudo começa por ali.
A invocação dos ancestrais faz com que as gerações atuais percebam que a história lhes é anterior e será também posterior.
Cada geração não é começo nem fim é um elo, e isso se dá não de maneira isolada, mas comunitariamente.
Na concepção espiritual banto, vida e morte são igualmente importantes.
Viver com dignidade, morrer com dignidade.
O que assegura o viver com dignidade é a vivência comunitária, que não suprime o valor do indivíduo descambando em coletivismo, mas o qualifica como ser de relações.
A vivência comunitária é o salvo-conduto para a vida eterna e para a condição de ancestral.
Portanto, a morte é vista com pesar, sem dúvida, porém, com muito respeito porque ela é acima de tudo o grande trânsito espiritual.
Por isso, inclusive, o devido respeito e até veneração para com o morto, depositando cuidadosamente o seu corpo na terra, porém, com a certeza de que pela sua vivência comunitária ele está junto de Zambi, na sua glória eterna.